A capital do Estado do Amazonas é Manaus, porém para os pobres e esquecidos habitantes do Sul do estado ela é Porto Velho. Quase tudo é feito por lá. Comprar um carro? – “Toca pra Porto Velho!”, fazer exames de rotina? “Lotação pra Poorto Velhoo!, grita o taxista.
Como o povo é abandonado por seus próprios pares, quando a coisa aperta e o caldo entorna é Porto Velho que paga o pato! Os cidadãos reclamam que quando chegam por lá são tratados que nem cachorro, jogados nos cantos dos hospitais feitos animais sem valor. Humaitá não tem casa de apoio para seus filhos, quando vai algum político mais abastado, fica em hotel de luxo, come do bem bom e dá risada, muita risada feliz e alegre com a vida boa.
O pobre quando arrisca ir até lá é por que está doente, não tem onde ficar aguarda nos corredores, tem que olhar sempre pra baixo como pessoa sem valor, desprezado, humilhado, manietado pela falta de recursos por sofrer da pior doença humana atual... A falta de dinheiro.
Quando está em estado grave ou inconsciente, a situação se complica ainda mais, pois as ambulâncias da cidade são do tempo do Fred Flintstone e balançam mais que pipoca em panela fervendo, se comparada com as de Apuí tudo fica ainda pior. “Que vergonha!”
Tivemos a sorte de vê-las no mesmo lugar, porém em dias diferentes, veja as fotos e confira. O que está faltando pra que o cidadão de Humaitá seja considerado gente? A resposta que vem clara como água cristalina é: dinheiro no bolso, sem o tal o ser humano nada vale. Somente de quatro em quatro anos ele é substituído por um documento verde chamado Título de Eleitor, depois só a nota azul um pouco mais escura é que vale.
Haroldo Ribeiro
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