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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Educação Ultrajada



         Cada profissão tem o seu ícone específico,
o top de linha daquela área, não menosprezando os milhares que fazem parte do time é naquele profissional que está a maior expressão do segmento. Na construção temos o engenheiro, na medicina o médico, no direito o advogado e na sala de aula, ou ensino o professor.
         A ocasião, outubro é muito propícia para falarmos deste grande profissional que está sendo empurrado pelo ralo através do descaso de autoridades e pela pressão de uma sociedade hipócrita que lhe tirou toda a dignidade. Há bem pouco tempo ser professor era uma posição de destaque, alguns conseguiam entrar na área sem mesmo ter concluído o ensino superior, estes tipos de profissionais ficavam no interior do país e em todas as cidades, pois o magistério, para dar aulas para crianças pedia um curso de pedagogia que substituía o ensino médio. Os tempos mudaram e todo o profissional que toma frente de uma classe, salvo raras exceções tem que antes ter freqüentando o ensino superior.
         A classe dos professores ganhou em qualidade e o nível de escolaridade aumentou, eles não só partiram para as especializações como navegaram nas pós graduações, mestrados e doutorados; Para que? Para chegar numa sala de aula e serem humilhados e pisados, para viver sob a bandeira do terror, para lidar com pequenos reis mimados pelos pais, para resolver problemas que não são seus num ambiente saturado de medo, ódio e insignificância.
         Se o advogado tem os olhos voltados para os juízes do Supremo Tribunal Federal que ganham uma fortuna a que brilham nas suas funções, os professores miram nos doutores das universidades Federais, top de linha da área, é aí que moram as diferenças, enquanto um juiz do STF chega a ganhar mais que o presidente da República, um professor de universidade pública em fim de carreira com todo o sumo tirado da cana, não chega a ganhar nem vinte mil reais, ou seja, “educou todo mundo e é tratado como moribundo”. Para quem ganha mal, a maioria da população brasileira, 11 mil, atual teto, ou 17, teto prometido é muito dinheiro, mas em comparação a outras nações do mundo e fazendo referência ao sofrimento que é dar aulas neste imenso Brasil, os salários pagos são para fazer rir, ou melhor, chorar de tristeza.
         Mas os problemas não estão só nos salários, existe em todo o Brasil uma cultura do medo dentro das salas de aula, os alunos são os governantes da escola, nada pode ser feito contra eles, alguns vêm armados para estar com os outros colegas de classe, a grande maioria já não respeita mais a figura do mestre, desprezam a profissão, não querem seguir os passos de uma profissional que já chegou a ter um enorme glamour na história do país. Mas nada que está ruim não possa ficar ainda pior, São Paulo aderiu a prática da progressão continuada, mesmo que o aluno não faça nada ele é promovido, para a tristeza de todos, inclusive do que foi levado para onde não merecia. Antes um aluno que apresentasse mau comportamento poderia ser punido, agora quem recebe as chicotadas quase sempre é o professor.
         Com a progressão continuada, aqueles “pestinhas” que só vão à aula para aterrorizar continuam na mesma sala; se atrapalhavam nos anos iniciais vão continuar infernizando os colegas até o fim do ensino fundamental, assim quem quer estudar realmente fica impedido de fazê-lo por estar ao lado de gente que não quer nada com a ordem do Brasil.
         Em todos os lugares há exemplos de grandes injustiças praticadas com quem deveria ser o mais respeitado dos profissionais, numa determinada escola da baixada paulista, uma professora sofreu um grande constrangimento, enquanto estava de costas para a sala, um aluno cuspiu em seu copo de forma que ela não pudesse ver o mal feito, os outros que presenciaram esta cena ficaram na expectativa para ver onde tudo terminaria. A professora virou-se tomou a água que estava no copo e sentiu algo diferente, os alunos começaram a rir e tudo foi descoberto. Desnorteada, a profissional seguiu para a direção da escola e depois fez um boletim de ocorrência da delegacia mais próxima, ela chorou e ficou indignada com a situação. O aluno era filho de estrangeiros que acham que aqui é a terra do desrespeito, com razão.
         Embora nem tudo sejam flores ainda dá para comemorar, para quem conseguiu a aposentadoria e não morreu, para os demais, resta o clima de tropa da Al Qaeda todos os dias nas salas de aula de todo o país segurando uma granada com defeito no pino, prestes a explodir.
         Feliz dia do professor!

Professor Haroldo Ribeiro
imagem: educacaoelutape.blogspot.com

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