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domingo, 12 de agosto de 2012

A sorte no pacote



            Salomão Ventura está desempregado, seu último salário desemprego saiu no mês passado, ele não consegue chegar em casa sem ficar apavorado, seus três filhos são adolescentes e estão na escola, seu dinheiro é a única fonte de renda para a família. As brigas são constantes a mulher não agüenta mais a situação, sua mãe liga e conversa com ela todos os dias, em suas falas ela diz que Soraia não deveria ter casado com Salomão, que era Augusto, um rapaz não tão bonito, mas que agora
e milionário que queria casar com ela, mas ela não aceitou por estar apaixonada pelo encanador Salomão. A vida dos dois nunca foi um mar de rosas nas finanças, mas eles conseguiam pagar o aluguel todos os meses e até compraram um fusca para os fins de semana e o transporte para o trabalho.
        Do outro lado da cidade mora Natália ela teve dois filhos, mas no último, Fernando sua vida correu risco e ela escapou por pouco, Guilherme, seu marido trabalhou por dois anos e fez uma poupança com prazo fixo em nome de sua esposa, sem que ela percebesse. A cicatriz da cesariana de Natália ficou horrível e causava um sério desconforto, ela não conseguia mais realizar-se como mulher e o casamento já começava dar sinais de abalos, por conta deste problema estético. O dinheiro guardado era uma surpresa para Natália, nos dois anos ele acumulou 11 mil reais para dar a tão sonhada cirurgia plástica para sua esposa.
        Poucos dias antes de dar a tão sonhada surpresa para mulher, Fernando foi ao banco e tirou um extrato da conta para ver se os valores eram suficientes, no outro dia ele faria a transação e pagaria as despesas de hospital e tudo o mais para realizar a cirurgia de sua amada esposa; sem perceber Fernando estava sendo observado por bandidos que queriam um dinheiro fácil, eles o seguiram até sua casa e conseguiram em seu local de trabalho o número de seu celular. Natália saiu para fazer academia às 16 horas e foi seguida pelos marginais que a pegaram e enfiaram dentro de um sedã preto, levando-a para uns quinze quilômetros longe dali. Do local um deles, mais conhecido como Caveira ligou para Fernando e pediu o resgate, 11 mil reais. Desesperado o marido esperou o outro dia e foi ao banco sacar a quantia, ele não avisou a polícia e seguiu para onde o bandido indicou.
        Um amigo de Salomão ligou para ele pela manhã e ofereceu seu ponto na praça principal, ele não queria mais trabalhar nas ruas, seus filhos não queriam tocar o negócio e ele queria 10 mil reais no empreendimento que rendia mais de 1500 reais por mês. O pai de família angustiado nem falou para sua mulher afim de evitar mais desconforto, a proposta, porém, não lhe saia da cabeça. Florêncio Malta, taxista e amigo de Salomão sabia que o chegado teria que fazer um trabalho pros lados do bairro do Vinhedo Velho e ofereceu carona, ele levava um pacote de papel pardo com conexões de encanamentos que iria usar no serviço, geralmente os clientes sempre esqueciam alguma coisa e ele os levava de precaução ao lado da caixa de ferramentas, ele sentou-se ao lado de seu amigo e foi para o seu destino deixando as conexões e a caixa de ferramentas no banco de trás.
        No lugar indicado, Estrada Velha quilômetro 56, Fernando foi a procura do rapaz que lhe daria a mulher de volta, ele ficou esperando por cinco minutos e depois viu um indivíduo vindo em sua direção, após constatar que o pagador do resgate estava sem a companhia da polícia o seqüestrador foi logo perguntando pelo dinheiro, antes de dá-lo Fernando queria saber sobre sua mulher, o bandido disse que ela estava bem. Ele confirmou o dinheiro e mandou o homem dar cem passos para trás e olhasse para o lado esquerdo, ali estaria sua mulher, ele foi e:
        - Meu Deus, que bom, você está viva... Graças a Deus, Graças a Deus!
        Na empolgação ele se esqueceu de tirar a mordaça da mulher que chorou compulsivamente. Os dois entraram no veículo e foram embora para casa. A poucos metros dali escondido, o bandido tentava dar partida no carro, mas sem sucesso, ele procurou limpar as impressões digitais e ficou na espreita esperando que aparecesse alguém.
        Florencio seguia pela estrada quando sentiu algo errado no motor de seu taxi, ele parou o veículo e foi verificar o que havia acontecido. Depois de verificar que não era nada grave eles ouviram a voz do bandido:
        - É o seguinte, gente fina, tu vai dar uma carona pra mim, vou saltar daqui uns três quilômetros, to armado se fizer gracinha ganha duas azeitona na testa, entendeu? Você também o Mané. – Falou olhando para Salomão.
        Eles seguiram as ordens do marginal, mas quando estavam próximos de um posto de gasolina o vagabundo viu um carro da polícia, com quatro policiais armados com pistolas e metralhadoras. Ele não pensou duas vezes:
        - Para aí gente boa, para logo!
        O motorista parou o veículo e o marginal saiu correndo. Passado o susto...
        - Pôxa, Florencio você me dá carona e ainda passa por tudo isto. Um dia eu te pago.
        Quando chegou ao seu local de trabalho, Salomão fez o que era necessário, mas como sempre, uma peça havia faltado, imediatamente ele foi em busca de seu pacote de conexões para salvar o serviço e voltar mais cedo para casa, mas neste momento...
        - Ai Jesus! O que é isto?
        No lugar de conexões, estavam ali na sua frente 11 mil reais, 11 mil reais! Apavorado, assustado, contente e nervoso, Salomão ficou pensando de onde poderia ter vindo aquele dinheiro: drogas, assassinato, seqüestro, extorsão?
        O caso do sequestro ganhou os canais de TV e Salomão, ainda sem contar para sua mulher a existência do dinheiro ficou sabendo de onde ele viera. Chorando o marido de Natália disse que havia guardado aquela quantia para realizar o grande sonho de sua mulher, mas que estava contente por tê-la de volta.
      
 O que deve fazer Salomão?
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História de Haroldo Ribeiro

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