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sexta-feira, 11 de junho de 2010

ADAMASTOR E O FIM DA NOBREZA (ESPAÇO LITERATURA)


Num reino muito distante havia um gato chamado Adamastor, ele era diferente de todos os gatos. Pra começar sua dona a Rainha Nalva, dava-lhe os melhores peixes do lago real todos os dias.

Adamastor não comia ratos, os poucos que viviam dentro do palácio passavam por ele e tiravam o chapéu para reverenciá-lo, afinal não é sempre que se vê um gato assim tão educado.
Um dia Xuquinha, um rato dos poucos que moravam no palácio e era animado como ninguém resolveu deixar a comodidade real para ir se aventurar por alguns minutos do lado de fora do palácio. Já na feira da pechincha, nome dado pela grande quantidade de trocas que são feitas todos os dias no local com uma ligeira chorada para a diminuição do valor final da compra.
Quando colocou os pés do lado de fora Xuquinha ouviu um voz malandreada que lhe disse:
- De que lugar é você – falou Ratuno, o ladrão.
- Sou do palácio Del Rainha!
- Então você é importante – nesse momento da conversa Xuquinha foi puxado violentamente pelo seu mais novo amigo. Querendo já reclamar da rústica atitude de Ratuno, Xuquinha olhou para o lado e viu um gato horrível que só não o comeu porque ele havia sido puxado a tempo.
Depois de agradecer o malandro Ratuno, Xuquinha voltou rapidamente para o castelo, e, como presenciou a realidade das ruas, decidiu reunir os ratos do reino e dar uma festa para Adamastor.
No momento da homenagem Adamastor agradeceu o carinho, discursou e até chorou.
O tempo passou e o reino foi invadido. A maioria dos soldados da Rainha foi morto e a monarca deportada e presa. Como não havia quem desse comida para Adamastor, a fome começou a apertar e ficar extrema. Não havia nada a fazer senão viver de migalhas.
Os ratos não tinham dificuldades, pois todas as noites os novos donos do reino comiam as provisões da rainha e costumavam jogar bons pedaços do que sobrava no chão. Adamastor olhava tudo com um grande vazio no estômago.
Já há um mês sem comer um bom prato, o pobre gato resolveu caminhar fora dos limites do reino, e então pode ver os outros gatos comendo ratos de montão, como um raio de luz, brotou um sentimento primitivo no agora não tão nobre felino.
- O que estou fazendo da minha vida: pensou o triste gato – morrerei de fome e na miséria?Nesse momento de profunda reflexão apareceu Xuquinha, seu melhor amigo, esbanjando gordura que tentava consolá-lo com estas palavras:
- Amigo, desde que a rainha foi deportada que você está assim!
Adamastor segurou seu grande amigo com força e com a boca cheia d’água deu uma pequena mordida no pequeno rabo do roedor, quase que o arrancando. Gostando da brincadeira nutritiva, não resistiu mais e acabou devorando Xuquinha sem chance de reação.
Adamastor sentiu suas forças renovadas e como os ratos do palácio não o consideravam inimigo, quando passavam por ele e o cumprimentavam eram imediatamente devorados, e assim, o gato faminto comeu todos os seus grandes amigos. Como a comilança era grande fora do castelo, alguns ratos resolveram refugiar-se dentro do castelo palaciano para a alegria de Adamastor, agora o rato assassino.
Quando soube da história de Adamastor, Gatócrates, o gato mais sábio do país assim falou:
-É caros amigos, quando a fome sobe a nobreza desce.

Haroldo Ribeiro
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