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quinta-feira, 3 de maio de 2012

A caverna



       Era tarde do dia 26 de outubro,
Vicente resolveu seguir o caminho da montanha, seus instintos o levavam para bem longe da agitação do dia-a-dia ele queria afastar-se de tudo e de todos, não aguentava mais a pressão da vida, as cobranças, as etiquetas e máscaras, não queria mais ostentar o que não possuía, sua esposa vivia de ilusões e ele sustentava tudo trabalhando até mais tarde, Guida também arrumou um emprego, Marcelinho e Ricardo ficavam com a avó, mas os dois já estavam com 12 e 11 anos, não dava para a velha controlar. Vicente estava cansado de chegar em casa e encontrar os dois boas vida no sofá assistindo televisão ou jogando vídeo game, mandando mensagens pelo Facebook, assistindo filmes de sacanagem, coisa comum nos jovens do mundo.
A estrada estava acabando a montanha mais próxima, o homem desanimado com as luzes da cidade saltou a proteção de aço da pista e avistou a caverna, ali estava a paz que ele esperava, sem celular, sem agitação sem vida humana conturbada. O dia ainda estava claro e próximo a entrada da caverna ainda dava para ver a luz do dia envolvendo a entrada do local, o barulho dos carros subindo e descendo era a única música tocada, o cheiro de fumaça ainda impregnava o ar, mas o homem não queria mais esta vida, ele ansiava por mais aventura, mais adrenalina.
A fuga parecia estar dando certo, um ar mais denso de pureza, mais liberdade o esperava dentro da caverna? A escuridão chegou de vez, do lado de fora também era escuro, um barulho pode ser ouvido nas entranhas da montanha, um animal? Um terremoto repentino, nada de respostas. O frio chegou, Vicente estava com medo, mas o medo não estava em casa com sua mulher e os filhos?
Passos para trás, barulhos internos diminuídos, barulhos externos aumentados o recuo foi inevitável, a estrada já estava escura, o retorno ao lar, a chegada ao lar, filhos na sala jogando vídeo game, mulher no trabalho, homem caverna, escuro sem luz e com barulhos rosnantes dentro de si.
Quando o dia amanheceu, já acordado Vicente ousou dizer que amava sua mulher, que surpresa para ela, o trabalho teve que esperar, o mundo teve que esperar, a caverna se fechou, as crianças dormiram até tarde, ninguém os acordou, não foram para a escola, os carros jogavam fumaças azuis e rosa que subiam serpenteando e encontravam com as nuvens num beijo silencioso, a pressa das vítimas da caverna era grande, mas dentro daquele quarto de primavera de dois agora que eram uma só vida pulsante o tempo parou e o mundo redescoberto.
A caverna ganhou porta, foi fechada, as trancas estavam no coração e na boca de um homem que não sabia dizer eu te amo!


Haroldo Ribeiro
imagem: challengingyourdreams.com


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