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domingo, 30 de maio de 2010

RICA INJUSTIÇA (ESPAÇO LITERATURA)

Esmeralda acordava as 5:30h da manhã todos os dias seu marido Sebastião não tinha rotina diferente. O ônibus sempre lotado, no horário a maioria das pessoas tomava banho não era tão difícil resistir. Os cheiros de Avon, Natura misturados a desodorantes baratos de supermercado em dias de verão em que as janelas estavam todas abertas não era tão desagradável assim, porém quando em meio a temporais, o negócio ficava estreito e o sufoco era enorme.

Após uma hora de sofrimento, lá estava Esmeralda num luxuoso apartamento em frente ao mar da cidade de Santos, não esperava nada, era chegar e pegar no batente. Dona Nina, uma desembargadora federal quase sempre não ficava em casa, Alfonsin, seu filho estava sempre na casa dos amigos, gostava de rock pesado, tinha cabelos longos e podia fazer tudo o que queria, isso era uma forma de compensá-lo pela muitas ausências dos pais no período infantil.

Seu Adamastor um engenheiro bem sucedido pouco ficava em casa, estava sempre em meio a grandes projetos, além de ter o seu próprio escritório ainda prestava assessoria à Prefeitura de Praia Grande.
Numa sexta-feira Esmeralda chegou com o seu colar novo banhado a ouro que seu marido havia lhe dado, isto causou certo desconforto aparente em dona Nina que num dia diferente dos outros estava em casa com seu marido e filho.

Dona Nina havia reparado o colar novo e perguntou para Esmeralda:
- Que colar bonito, onde comprou?
- Foi meu marido que me deu, ontem fizemos 15 anos de casados.

Ouve alguns cochichos e então a grande surpresa. Dona Nina saiu com essa:
- Esmeralda, andam sumindo coisas aqui em casa e é justamente quando você vem trabalhar, já foram mais de 500 Reais, e agora eu e o Adamastor já sabemos quem foi. Pode arrumar suas coisas e ir embora.
Esmeralda ainda esboçou uma reação, mas nada lhe deixaram dizer, pegou suas coisas chorando e foi embora. Já na rua olhou por entre os altos edifícios de Santos e rogou a Deus justiça, não falou palavra alguma, não rogou maldição alguma, só justiça nada mais, voltou à sua casa e de vez em quando alisava com carinho o colar dado por seu marido.

O tempo foi passando e Esmeralda conseguiu uma nova faxina, justamente em frente à antiga, quando estava limpando as janelas notou um barulho de sirene e pode ver que havia algo de errado, justamente no edifício de sua antiga patroa. Resolveu descer, pegou o elevador e seguiu à entrada do edifício; contemplou a cena que lhe diria ao coração que existe justiça para quem confia em Deus.

Saindo algemado, Alfonsin já estava sendo colocado dentro do carro da Polícia Federal, neste momento apressada chega dona Nina, tentando intervir, mas já não havia nada a fazer, senão por processo legal, enquanto ia sendo colocado dentro da viatura algemado, Dona Nina pode mirar no olhar de Esmeralda e não pode nada fazer a não ser baixar os olhos envergonhada.

Nina não pediu desculpas, era muito mais elevada do que uma simples serviçal. Alfonsin na época em que Esmeralda trabalhava em sua casa começava um vício em cocaína, e como era da alta sociedade se infiltrara nos condomínios de luxo de Santos, como consumidor e traficante.

Quando o chefe do tráfico caiu através de escutas eletrônicas, todos os distribuidores caíram juntos, e Alfonsin entrou na lista.

Ao fim do dia Esmeralda pegou os seus pertences, fechou o apartamento, entrou no elevador, cumprimentou o zelador e foi ao ponto de ônibus para o retorno.

Não sentiu alegria, não jubilou, só havia em seu interior um imenso pesar por Alfonsin, Nina e Adamastor, os verdadeiros miseráveis da história.


Haroldo Ribeiro
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