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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Palmitão, o pescador ladrão.


Antonio Palmitão é um exemplo de sucesso,
tem carro próprio, mulherona esperando todo o dia a sua chegada, dois filhos que só andam “nos panos”, conta farta no banco principal da cidade, local onde é tratado como rei e não enfrenta filas nunca. Tem casas alugadas e dizem a boca pequena que o cara tem até avião; tudo isso conseguido com muito trabalho, esforço e dedicação.

Como hábil negociante, Palmitão aprendeu bem cedo o caminho do sucesso rápido; para ele o crescimento teria que vir do trabalho com certa dose de sagacidade. Tudo o que tem, deve as águas do Rio Madeira, e é o maior vendedor de peixe da região e já não depende mais dos altos e baixos do rio, pois agora têm tanques de tambaquis, pacus e até pirarucus.

Com dezoito anos, traçou um plano de conseguir casa própria até o fim do ano, era 1988, e no meio não tinha condições nem de comprar um saco de cimento, foi quando ouviu as palavras mágicas que mudaram sua vida.

Raimundo Onofre, conhecido como Zumbi lhe deu um conselho que mudou a sua vida.

- Palmitão, rapaaaz! Desse jeito você não chega lá parente, tem que dar uma melhorada na balança!

- Como assim? Disse o pescador sem fé.

- Você tem que tirar de cada freguês de cinqüenta a “duzentas gramas”.

- Mas se o freguês notar, eu tô frito!

- Você vai pela cara, se for gente simples, de chinelo no dedo, que não olha no olho, pode botar pra quebrar que não tem problema; se o cara for falador, reparador, se olhar muito pra balança, só dá pra tirar de vinte a cinqüenta gramas, mas com muito cuidado.

Estes “sábios conselhos” mudaram a vida de Palmitão. Em pouco tempo, já antes do fim do ano, tinha terreno com casa começada e consórcio de moto com lance gordo, tendo como conseqüência um veículo de duas rodas novinho em sua garagem.

Como era inteligente, Palmitão acrescentou à técnica de Zumbi a compra de pescado por mixaria explorando seus amigos pescadores, ele oferecia trinta por cento a menos alegando que tinha bala na agulha e pagava a vista, na bucha!

O povo de Humaitá para Palmitão era apenas uma escada para seu crescimento. Certa vez revelou: - Vou ser Vereador e depois Prefeito dessa joça!

Palmitão tinha um grupo de vendedores que trabalhavam para ele no mercado da cidade, volta e meia ele mesmo em carne e osso, “mais carne do que osso” ia à banca para ensinar os funcionários como se trabalha e se ganha dinheiro. De tanto lesar a gente humilde da cidade, Palmitão não praticava mais o ato de olhar no olho do freguês, pesou dois quilos e meio de tambaqui roubando duzentos gramas na balança manual, em sua frente estava Olavo Vladak, professor de química que entre outras coisas fazia experiências com peso atômico e de forma visual observou o roubo e o desatino. Sem contestar seguiu em direção a um supermercado próximo, pediu para pesar o pescado, voltou enfurecido a banca de Palmitão.

- Senhor Palmitão, o peso do peixe está duzentos e vinte gramas abaixo do normal.

Como o dono da banca fingia não ouvir o professor irritado mais alto falou:

- Meu amigo, vai roubar o Satanás! Ou você me dá o que está faltando ou eu chamo a polícia.

Pela primeira vez na vida Palmitão foi envergonhado; seu Luiz Brito dizia ao seu filho: - Eu sabia que este dia ia chegar essa cara suja a boa imagem dos pescadores com esses roubos.

Por azar Palmitão nesse dia trouxera seu filho mais velho, bem vestido o rapaz que contava dezessete anos confirmou sua suspeita de que seu pai havia crescido a base de roubo.

Do outro lado do Mercado estava João Vigó, mais conhecido como Gente Fina, ele era totalmente diferente de Palmitão, pagava o preço justo no pescado, emprestava pequenas quantias aos amigos em apuros, nunca cobrava juros e nem mesmo a dívida cobrava.

Com este tipo de atitudes conquistou um grade número de amigos, foi padrinho de casamento de quase todo o mercado, formou filho advogado, filha médica e o filho adotivo estava no Afeganistão como Capitão do Exército ajudando os Estados Unidos na luta contra o Talibã.

Quando perguntavam para ele como o conseguiu só tirava o boné, soltava a faca no balcão e repetia: - Foi nosso Senhor que me deu.

Dia nove de outubro de 2007, Gente Fina atravessou a rua para trocar dinheiro, seus sessenta e quatro anos de muita fadiga falou mais alto, caiu diante de todos não havendo mais nada a ser feito.

No enterro, todos os vereadores, Prefeito, Pastor e Bispo da Matriz, donzela e meretriz, todos amavam o dono da banca de peixe mais respeitada da cidade que tinha balança eletrônica e vergonha na cara. Os filhos estavam lá, atrasaram em um dia o enterro dando tratamento especial em Porto Velho para que o filho Capitão pudesse estar presente.

Lagrimas, choros, discursos, mais de quinhentas pessoas se despediram do homem que mais representava a honestidade na cidade.

Palmitão voltou de viagem que ia fazer a Porto Velho, pois esqueceu um documento importante e chegou em casa fora de hora a tempo de ouvir o Gemido de Setembrina, a Brina, sua mulher, embaixo de Ricardo “Nóia” funcionário de sua peixaria.

Em Manaus os filhos do ladrão gastavam dinheiro com cerveja e mulherada, como não tinha tempo para os filhos ele não exigia nada.

Palmitão foi a beira do rio, não quis fazer nada, não teve força para fazer nada, olhou para águas do Madeira, muito dinheiro, muita água, muito engano... Palmitão só.

- Aí Palmitão, muita dor de cabeça!

Haroldo Ribeiro
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imagem: digitalphoto.pl

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