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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Pra que serve esta fila?


Desvende este mistério lendo mais
esta história de Haroldo Ribeiro


Ela fazia a curva no quarteirão muita gente
estava nela, gente de idade, gente de colo, madames, gente pobre, muita gente pobre, alguns se acotovelavam querendo um melhor lugar. Um cidadão ajeitado, bem arrumado mesmo! Perguntou:
- Para que é esta fila?
- Saber eu não sei não, mas deve ser coisa muito boa, pois a tal só faz crescer, já encontrei gente aqui que faz pelo menos dois meses que tá nela, a coisa no fim deve ser supimpa! – Disse um homem de meia idade.

O homem curioso resolveu ficar nela, mas sua curiosidade era grande, porque tanta gente ficava naquela fila interminável? Alguns fatos curiosos surgiam, na fila, vez por outras um homem alto bem arrumado pegava um jovem e passava a frente de todo o mundo. Alguns reclamavam:
- Caramba, gente jovem passando a frente de idosos!
Uma mãe ficou espantada ao ver seu filho sendo levado na frente, quis reclamar, mas conteve-se, para ela alguma coisa boa esperava o filho, quem sabe uma oportunidade a mais na vida.

Como a demora era grande alguns vendiam churrasquinho na fila, outros improvisaram uma pelada de solteiro contra casado, tinha gente que escutava música sertaneja, mais adiante uma moça rebolava até o chão. Um homem traído chorava, a mulher dele parecia não estar nem aí.

Vez por outra a fila andava, e um alívio era exprimido na boca de algum membro da fila que só crescia.
Um senhor com um ar grave revelou:
- Ouvi dizer que esta fila é para uma programa do governo... Habitacional, são casas altamente confortáveis, os planos são os melhores possíveis.
Uma mulher rebateu:
- Nada disto, isto aqui é para fazer parte de um produto experimental contra o câncer, ouvi dizer que todos os que aqui estão poderão viver muitos e muitos anos sem a doença, é um procedimento milagroso. Aleluia!
A emoção tomou conta de muitos na hora da revelação.
- Acho que esta mulher tem a razão, ainda bem que estou nela, o câncer tem matado tanta gente!

Assim foi passando mais um dia, por todo lado mulheres faziam tricô, bordavam, gente jogava bola e ficava de olho na fila pra ninguém roubar o lugar.
Não dava pra perder nada enquanto estava-se na fila quilométrica, os experts da bolsa estavam lá com seus Ipods, tablets e outras parefernálias eletrônicas e meninas passavam mensagens em SMS. Para quem não percebia direito, todos eram gente de bem, mas assaltantes também faziam parte da fila, políticos,pastores, padres, gente obesa e magricela, bonitos, belos, feios e horríveis, aleijados, mancos, esportivas e humoristas.
O cidadão ajeitado resolveu sair da fila, pediu para uma senhora decente olhar seu lugar e foi embora até conseguir chegar ao fim da quilométrica e longa fila, para sua surpresa, ela dava volta no quarteirão e sumia de vista, ele fez um plano para conseguir chegar ao início, ou final, agora pouco importava.

Na viagem para alcançar onde aquela aberração de fila começava ele subiu montes, desceu vales dobrou encostas até que um dia, sem querer chegou até o lugar em que estava o primeiro da fila, era um menino de dez anos, careca e de olhos fundos. Com a curiosidade em alta o ajeitado cidadão perguntou para o agenciador da fila:
- Esta fila é para o quê?
 Um senhor alto e forte parece ter feito um sinal afirmativo para o outro, como se estivesse dando autorização para falar.
- Esta fila é para a morte, quer passar a frente deste menino?

O cidadão ajeitado saiu correndo e foi para seu lugar mais que depressa, a fila andava rápido, houve uma guerra e muita gente estava recebendo o remédio contra o “câncer”.
Quando chegou ao seu antigo lugar na fila a mulher que guardava o seu lugar disse:
-Guardei seu lugar com carinho, pode voltar meu filho!
Na hora ele teve vontade de falar o que realmente era aquela fila, mas com medo de ser linchado falou a generosa senhora:
- Distinta mulher, quero que meu lugar seja dado aquele político ali...
- Mas meu amigo, ele já roubou muita gente!
O político sorridente pensou com seus botões. O mundo é dos mais espertos! Adeus trouxa!

O cidadão ajeitado um dia voltou para a fila e pediu para ser colocado no primeiro lugar, ele achava que já era hora de partir.


Haroldo Ribeiro
imagem: exame.abril.com.br

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